Diakonia é Serviço

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"Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos." Evangelho de São Marcos 10:42,45

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Aspectos Simples para Viver a Fé Cristã no Cotidiano.





1- Iniciar todos os dias com oração de agradecimento, mesmo que muito breve, mas que seja de todo coração.

Ex : Amado Deus em uma Trindade Santa do Pai, do Filho e do Espirito Santo. Obrigado por me dar mais um dia. Me ajude Senhor a viver este dia mais proximo de Ti. Amem.


2 - Antes de sua primeira refeição, dedique ao menos um instante para agradecer a Deus por aquele alimento. Se acostume a pontuar o dia com a memória da benevolência de Deus.

Ex : Ó amado Deus, agradeço a Ti por todos os dons e bens que recebo. Pai Nosso...

3 - Antes de sair de casa para o trabalho, escola, ou para qualquer outra atividade, não deixe de pedir a Deus que o ilumine.

Ex :Ó amado Deus, me proteja diante das tentações e do mal, para que nunca deixe de ter fé em Ti.

4 - Durante o dia, evitar a todo custo :

falar palavrões (pois Deus nos deu o dom da fala, e com ele devemos glorificar a Deus),
praguejar ,
falar mal de outros,
mentir,
Caluniar,
desejar o mal aos outros,
desejar o que é dos outros,
ter desespero...

5 - Sempre que durante o nosso dia percebermos que estamos sucumbindo diante dessas e de outras tentações, parar, fazer o sinal da Cruz e fazer (mesmo mentalmente) a Oração de Jesus:

Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador, tem piedade de mim um pecador.
Essa oração deve ser dita com todo nosso coração, como uma suplica consciente ao Nosso Amado Cristo, para nos ajudar quando estamos caindo.

6 - Ao retornarmos para casa, dedicar uma oração de agradecimento a DEus, pelo dia util e pelo retorno em paz.
Ex : Ó Senhor meu Deus, te dou graças por ter me livrado de todos os perigos, me ajudado em minhas obras, e ter me permitido voltar para casa. Amem.
Nunca deixe de agradecer !

7 - Em todas as noites, reservar um tempo, com silencio e atenção, para ler o Santo Evangelho, de modo solene. Ilumine a leitura com uma vela, no seu lugar de oração, e leia o Evangelho como a lembrar mesmo que ali está a Boa Nova sobre O Cristo Deus nosso Salvador.

Faz apos leitura uma reflexão sobre o seu dia, tentando ver quais as distancias e proximidades do seu espirito para com o ensino do Evangelho.


8 - A Igreja de Cristo nos dá um exemplo de vida, conduta e obediencia a Deus, na pessoa da Bem Aventurada Mãe de Deus e Sempre Virgem Maria.
Como mesmo nos ensina o Evangelho, que seja por todas as gerações venerada a Virgem. Cantemos todos os dias, sem falta um :

Mais honrada que os querubins, incomparavelmente mais gloriosa que os serafins, sem corrupção desta a luz ao Deus Verbo, verdadeira Mãe de Deus nós te magnificamos.

9 - Antes de irmos dormir, vamos lembrar de tudo o que sabemos não ter sido bom em nosso dia, nossos pecados, nossos pensamentos malvados, nossas más ambições, e pedir a Deus, de todo nosso coração : Perdão, cura-me pois sou pecador.

Pensa objetivamente em cada pecado. E se esforça para no dia seguinte eles não persistirem.

10 - Lembra de todos os seus falecidos. Pede que DEus perdoe todos os seus pecados, que os acolha em um lugar de paz, onde nao ha mais dor nem tristeza.

Pede todos os dias, por cada um. É o que podemos fazer por eles. Isso é um ato de amor, que Deus acolhe.

11 - Antes de ir dormir, pede pela salvação de todos. Pede pelo seu padre, que Deus de força a ele, que não o deixe cair em tentação.

Pede pela vida de todos aqueles que estão presos, que estão nos hospitais e no relento das ruas. Pede com todo seu coração, como se fosse pela carne da sua carne.

Assim, se fizermos assim todos os dias, Deus vai estar conosco, e nossa vida será fonte de luz.

Que seja útil para muitos !

No amor de Cristo,
Diácono Marcelo.

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Para vermos Deus : Diante da Aridez na Vida Espiritual



Irmãos,

um buscador sincero de Deus , que já há muito tempo acompanha este nosso modesto apostolado, me traz um questionamento :

"Padre, nosso Senhor nos diz que o Reino está dentro de nós, que já chegou. O sr. muitas vezes faz uso da bonita imagem, do Senhor que habita em nosso coração, e que o nosso coração seria como uma sala do trono real.
Contudo, sendo tudo isso verdade, por qual razão não consigo eu ver a Deus, mas apenas o meus pecados, quando olho para o meu interior?
Não seria mais certo imaginar Deus e o Seu Reino como muito distantes de mim, e em razão disso entender a aridez da minha vida espiritual? "


Com toda a certeza, todo aquele que tem vida espiritual a sério, ja viveu esta mesma aridez que o nosso amigo registra, e ja sentiu a mesma dúvida, sobre a proximidade de Deus, conciliada com a nossa aparente e tão concreta solidão.

E é muito importante ter a oportunidade de tratar desta questão, sobre a arides espiritual, mesmo quando estamos buscando, sinceramente por Deus, mesmo estando na Igreja, e buscando realizar tudo como "nos conformes".

Muitos são aqueles, que tendo caminhando algum tempo na Igreja, e percebendo que nada de extraordinário mudou na sua relação com "o Sagrado", passam a crer ou que este não existe (ao menos não como uma Pessoa), ou que a busca por Deus não é para ele.

As  duas reações são equívocos, e aqui esta mensagem nos dá a oportunidade de trabalhar uma resposta correta a esta condição tão comum a todos os que estão buscando e enfrentam (naturais) dificuldades.


Contudo, ao buscar responder a este irmão de caminhada, não posso dizer que Deus está distante e que o Reino não está em nós.

O dilema aparente é : Se Deus é tão próximo, se mesmo o Reino está em mim, como não vejo?

Isso que vou responder agora pode parecer um pouco bobo, mas com toda a certeza nos serve como uma boa imagem para entender a razão desta aparente contradição.

A nossa face, o nosso rosto, é algo mais próximo de nós que qualquer outra coisa, não?
Mas nós podemos ver a nossa face?
Não. Não sem o auxilio de um objeto que nos sirva de reflexo, de espelho.

O mesmo se dá com Deus que habita em nosso coração, e que está tão proximo, tanto quanto a nossa face, e que não podemos ver.

O espelho que vai nos permitir ver Deus é a nossa mente purificada, o nosso Nous iluminado.

Ok. Mas não é justamente a nossa mente o problema?

Ela é um problema pois nós não estamos voltando o espelho para a nossa face (aqui no caso, Deus, próximo de nós).

Como sendo um espelho de mão, estamos voltando as costas do espelho para a nossa face, e a parte espelhada para o mundo, para as coisas, para o que está fora de nós.

E nisso, como estamos "distantes de Deus" (não O vemos), o nosso espelho, a nossa mente, só ve o reflexo das coisas do mundo que mais nos arrastam para fora.

A idéia do Nous como "olho do Espirito", tão presente em nossa teologia, nos fala justamente deste espelho invertido, que como um olho desviado, olha, reflete apenas os objetos do mundo, sem nos mostrar Deus e o Reino.

E é por isso que muitas vezes nos frustramos com os resultados do que a nossa mente, honestamente desejosa de nos mostrar Deus, nos mostra.

Não estamos mirando a nossa mente para o foco correto.

Bom, falando assim, fica a parecer que a mudança de foco é um caminho fácil. Pois é só virar o lado certo do espelho (as buscas de nosso espirito) para refletir a face(Deus), e tudo vai se resolver.

Bom, com toda a certeza se trata "apenas disso".

Contudo, virar o espelho para o lado correto é muito dificil.
Pois o reflexo das coisas do mundo (os nossos objetivos que nos dizem que ha uma felicidade que não esta em Deus) ja foi visto por nós e nos atrai muito.

Então, para termos força para buscarmos virar o espelho (o foco de nossa alma para buscar Deus), se faz necessário cultivarmos em nós uma obstinação tremenda, baseada  em dois pilares : A crença de que O Senhor não nos mentiu, e de fato ha o Reino em nós e de que Ele está conosco, e o segundo pilar : a certeza de que os tesouros do mundo são passageiros. Não são irreais, mas eles vão, TODOS, acabar um dia.

E o cerne da vida espiritual é esse. Nos ajudar no animo para virarmos o espelho, com base nesses dois pilares, muito concretos.

As praticas da vida da Igreja, todas elas, tem como objetivo nos ajudar a crer no primeiro pilar (nos mostram a Graça e a Presença do Senhor em fragmentos), e constatar o segundo (nos fazer perceber o carater transitorio e decadente dos castelos de areia do mundo).

Quando a Igreja nos convida a celebrar as tantas festas, nos faz para nos mostrar o Senhor presente em nossas vidas. Quando nos exorta ao jejum e as abstinencias está nos treinando a não sermos escravos dos prazeres que o mundo oferta, e que sem o auto dominio podem nos viciar.

Mas mesmo seriamente empenhados neste programa espiritual que a Igreja nos oferta, a batalha para deixarmos a busca pelo reflexo do mundo que o nosso "olho da alma" ja viu, é um desafio.

Precisamos então perseverar, e fazendo então por esta perseverança crescer em nós os efeitos dos frutos abençoados ofertados pelas frestas da Graça que as praticas bonitas da fé nos trazem. E com os efeitos dessas graças crescendo, sermos mais capazes, dia apos dia,  anos apos anos, Páscoa após Páscoa, de vermos, com os nossos proprios olhos da alma (agora ja em estado de purificação), que os tesouros do mundo são passageiros, e mesmo palida imitação dos tesouros que Deus tem para nós ofertar : A Sua presença real em nossa vida.

Não vamos desistir irmãos, diante dos desafios da vida espiritual. Eles existem se justamente estamos lutando. Eles então são como bençãos disfarçadas, pois nos mostram que há um premio ao final do caminho.


Um grande abraço !

No amor de Cristo,

Diácono Marcelo.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Pregando com o necessário amor sobre o caminho estreito.



Irmãos, 


diante das questões polemicas que surgem (aborto, a questão da sexualidade e outras tantas), o cristão é chamado a ser luz para o mundo. 

E aqui estamos falando de sermos representantes de Cristo, e ensinar o que Ele ensinou.
E nisso iluminar.


E nisso, precisamos falar do cerne da questão : O Cristo nos pede para respondermos a vida com amor. 

O cristão não é um masoquista, que acredita que o sofrimento pelo sofrimento é santo e purificador. Não, definitivamente nossa luminosa fé não nos diz que a felicidade deve ser estranha a nossa vida. 

Ao contrario. 


A busca por estar unido a Deus, ja nesta vida, éa busca pela verdadeira alegria. Aquela que nos faz encontrar a nossa destinação. Que nos restaura. 

Caminhar no mundo seguindo Cristo, é escolher o caminho estreito. É tomar a nossa Cruz, e ai sim, O seguir. 

Mas tudo isso faremos com muita alegria. 

Claro, não são as alegrias do mundo. São alegrias que o mundo não pode ver.

Mas é a alegria real. 

Quando falarmos do "não ao aborto" para as pessoas, podemos falar do inferno, ou do carater juridico de estarmos inflingindo uma lei.

Contudo, para aquele que nem mesmo está buscando Deus, estas admoestaçoes são vazias. 

Mas uma coisa que todos podem compreender, é que se apostarmos na vida, se cremos no amor, a criança que vem, mesmo que venha em um turbilhão (estupro, pobreza extrema, juventude), vai ser motivo de infintas bençãos, de alegrias, e uma corrente de amor vai unir mãe e filho, e nisso Deus vai estar um pouco com eles. 

Sejamos como cristãos, mais capazes de falar da escolha pelo caminho dificil do amor. 

E dizer com certeza, que Deus vai estar conosco, se escolhermos este caminho. 

Nosso Senhor nos ensinou que o Seu jugo é leve. O Seu jugo é aceitar enfrentar as veredas da vida com atenção aos mandamentos. 

Vamos explicar isso ! Aquele que ama o Cristo, pode as vezes não querer o jugo do Padre, o Jugo da Igreja, o jugo do "machismo", o jugo "dos costumes". Mas ele vai aceitar o jugo do Cristo.

Preguem irmãos, como para os filhos de voces. Amando quem recebe a pregação. 

Que Deus ajude a todos aqueles que pregam !

No amor de Cristo, 

Diácono Marcelo.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Como crianças de Deus



"Naquele momento os discípulos chegaram a Jesus e perguntaram:
"Quem é o maior no Reino dos céus? "Chamando uma criança, colocou-a no meio deles,
e disse: "Eu lhes asseguro que, a não ser que vocês se convertam e se tornem como crianças, jamais entrarão no Reino dos céus.Portanto, quem se faz humilde como esta criança, este é o maior no Reino dos céus."

Mateus 18:1-4

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Irmãos,

no Paraíso (a realidade que Deus ofertou ao homem), podiamos ver Deus.

Tinhamos intimidade com Ele. A intimidade que os filhos pequenos tem com os pais.

Ainda que Deus fosse Deus, não O temiamos. Era natural o amor que permita nossa relação com o Criador.

Tentados pelo inimigo da humanidade, escolhemos então uma realidade alternativa : Na distancia de Deus.

O primeiro sintoma de que a nossa escolha transformou a nossa natureza, foi que passamos a ter consciencia de nossa nudez (nossa distancia de Deus se fez pesada) , e ficamos constrangidos diante de Deus, e passamos a O temer. E tolos como nunca, pensamos que poderiamos nos esconder dEle.

Como uma criança que perde a sua inocencia não pode retornar a pureza original, o mesmo se deu com o homem.

Então amoados diante de Deus, fomos tocados para fora do lar criado para as crianças de Deus.

Não eramos mais crianças de Deus.

E fora deste lar, passamos a não mais ter a visão de Deus. 

Com o passar do tempo, fomos esquecendo de como Deus é .

Fora do Paraiso perecemos. Mas a maior de nossas mazelas não ém si a morte,  mas sim o fato de que  que não vemos mais a Deus.

Quando o Verbo se fez carne, tambem desejou nos mostrar novamente Deus.

E quando o Verbo Encarnado subiu ao Céu, nos deixou a Igreja. Para que nela pudessemos aprender a ver Deus novamente.

A vida que a Igreja nos propoe, é um modo de vida que cura os nossos olhos vazados pelo pecado.

Se acolhermos para nós o Cristianismo como um MODO DE VIDA, nós podemos ver que estamos sempre diante de Deus.

E claro e evidentemente, que ao perceber isso, como uma verdade profunda e inquestionável, nunca mais seremos escravos do pecado.

E neste estado de liberdade, voltaremos a ser como crianças. Novamente crianças de Deus.

E então, quando o caminhar neste vale de lagrimas (a realidade alternativa ao Paraiso) acabar, como crianças de Deus nasceremos na amizade do Senhor, e retornaremos a amizade com o Criador.

Não vai haver mais qualquer vergonha, ou medo. Só o amor puro que os filhos pequeninos tem pelos seus pais. Um amor confiante, reverente e sem fim.

Precisamos amados irmãos, buscar ver Deus já neste mundo.

Os Santos Padres nos ofertam uma imagem sobre esta necessidade.

Nos falam sobre uma matilha que está a caçar uma raposa.

Contam os Padres que todos os cães partem juntos para a caça, mas apenas um dos animais vê a raposa.

Cada um dos cães que não viram a raposa, vão deixando a caçada. Um vê outro animal e vai em sua perseguição. Outro sente o odor de uma femea e vai atraz dela. Outro se fere no caminho e recua para casa.

Contudo, o cãozinho que viu a raposa, obstinadamente continua em seu encalço, e nunca vai deixar a caçada, até a encontrar.

Dizem os Padres Santos : O mesmo é conosco.

No Batismo irmãos, somos todos lançados a caça.

Mas o mundo vai desejar nos dispersar, com todos os seus recursos.

É apenas se tivermos a visão de Deus, que vamos seguir obstinados, fortes para evitar todos os obstáculos, apenas tendo Deus como meta.

Na Igreja, cantamos as alegrias daqueles que ja viram Deus. Na Igreja pregamos para a nossa propria alma sobre tal necessidade.

Na Igreja recebemos o Corpo e o Sangue de Cristo.
É possivel na Igreja ver a Deus.

Mas apenas se estivermos nela de verdade.

Vamos buscar irmãos, enquanto ainda temos tempo.

Um grande abraço !

No amor de Cristo,

Diácono Marcelo.

A eucaristia : mistério sagrado


Irmãos,

muitos do que buscam este nosso modesto apostolado catequético e pastoral, tem dúvidas sobre os elementos mais básicos a respeito de nossa luminosa fé, e constantemente buscam refletir sobre ela com base em comparativos com as heterodoxias cristãs. É um processo normal, e recebemos com alegria todos os buscadores, vendo cada um deles como enviados pelo Senhor Jesus Cristo.
No video de hoje, vamos tratar do tema Eucaristia : O misterio sagrado, no qual especies do pão e do vinho, se tornam Corpo e Sangue de Cristo.
Deus permita ser útil !

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Dúvidas dos buscadores : O Senhor pode aparecer para alguém que está fora da Igreja?


Irmãos,

um buscador de Deus, me traz uma inquirição, para ser respondida com a palavra de nossa fé.

Ele traz o registro da vida de um místico indiano do século dezenove, que teria tido uma visão de Nosso Senhor, e que nesta visão teria Se revelado a este místico, como sendo o Cristo.

Vamos então apresentar a mensagem do buscador, seu registro e duvidas, e depois dar uma resposta.

Que Deus permita ser útil !


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Buscador de Deus :  Querido Padre,

não sei se o Sr.conhece a vida de Ramakrishna, um místico indiano, que nos anos finais de sua vida, começou a se interessar pelo Cristianismo, e que tendo contado com indianos cristãos, conheceu o Evangelho, e nisso passou a pensar tão intensamente em Jesus Cristo e nos Seus ensinamentos, que em um dado momento chegou a ter uma visão do Senhor.

Ao fim deste e-mail, posto um registro  adaptado de um livro da Ordem Ramakrishna sobre esta experiência extraordinária.

O que trago como dúvida ao Sr. é o seguinte :

Isso é crível?

Como pode este homem, um pagão, que servia em um templo pagão, poder ver o Senhor ?

Devemos como cristãos refutar este registro como um embuste? Ou de alguma forma algo assim é possível ?

E se tal coisa é possível, qual o lugar uma pessoa que teve tal visão deve ter em nossa fé? É um santo? Deve ser reverenciado ?

Desde já agradeço muito!


"O ano era 1874 e i Ramakrishna (um religioso indiano, sacerdote do templo da deusa hindu Kali) tinha então 38 anos de idade.

No final desse ano, em algum momento do mês de novembro,  Ramakrishna sentiu um grande desejo de aprender a verdade sobre o cristianismo.

Ele começou a ouvir as leituras da Bíblia, de Sambhu Charan Mallick, um devoto de Calcutá(Ramakrishna era analfabeto).

Tornando-se intensamente fascinado pela vida e pelos ensinamentos de Jesus,  Ramakrishna desejava obter uma visão de Deus através do caminho cristão.

Mal esse desejo surgiu  em sua mente, que tal se realizou de uma maneira maravilhosa.

O evento aconteceu na casa de jardim de Jadunath Mallick, que era edificada ao sul do templo de Kali em Dakshineswar, no qual Ramakrishna servia.

 Ramakrishna costumava ir lá de vez em quando para uma caminhada.

    Nesta casa havia algumas imagens penduradas nas paredes daquele quarto. Uma dessas fimagens era a do menino Jesus no colo de sua mãe .

    Ramakrishna costumava dizer que se sentou um dia naquela sala e olhava atentamente para aquela foto e pensava na extraordinária vida de Jesus, quando sentiu que o quadro ganhava vida, e os raios de luz que saíam dos corpos da Mãe e da Criança, entrou em seu coração e mudou radicalmente todas as idéias de sua mente!

    Ao descobrir que todas as impressões inatas hindus desapareceram em um canto isolado de sua mente e que diferentes nela surgiram, ele tentou de várias maneiras controlar-se e orou fervorosamente à deusa Kali ,mas  nada mudava.

    Erguendo-se com uma grande força, as ondas dessas impressões apagaram completamente as idéias hindus em sua mente.

 Seu amor e devoção aos Devas (Deuses) e Devis (Deusas) desapareceram, e em seu lugar, uma grande fé e reverência por Jesus e sua religião ocuparam sua mente, e começaram a mostrar-lhe sacerdotes cristãos oferecendo incenso e velas diante da imagem de Jesus na Igreja e revelar-lhe a ânsia de seus corações como se vê em suas orações fervorosas.

Ramakrishna nunca havia ido em uma igreja.


Ramakrishna voltou ao templo de Dakshineswar e permaneceu constantemente absorto na meditação daqueles acontecimentos internos. Esqueceu-se completamente de ir ao templo de Kali e prestar-lhe reverência. As ondas dessas idéias dominaram sua mente dessa maneira por três dias.

Por fim, quando o terceiro dia estava prestes a terminar, Ramakrishna viu, enquanto caminhava no  bosque, que um santo maravilhoso, de aparência muito justa, estava vindo para proximo dele, olhando-o com firmeza.

Assim que Ramakrishna viu aquela pessoa, ele sabia que ele era um estrangeiro. Viu que seus longos olhos , que produziam uma beleza maravilhosa em seu rosto, e a ponta do nariz, embora um pouco plana, não prejudicou a beleza.

Ramakrishna ficou encantado ao ver a extraordinária expressão divina desse belo rosto, e se perguntou quem era.

Imediatamente então a pessoa se aproximou dele e do fundo do coração de Ramakrishna ressoou um som de toque, com as palavras: "Jesus! Jesus, o Cristo, o grande Yogi, o Filho de Deus amoroso, um com o Pai, que deu o sangue do seu coração e suportou uma tortura sem fim para libertar os homens da tristeza e da miséria!"

Jesus, o Deus-homem, então abraçou Ramakrishna e  desapareceu . Ramakrishna re entrou em êxtase ."


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Resposta :

Querido irmão,

sim, já conhecia este relato.

Vou tentar desenvolver a questão que você me traz, como base naquilo que a nossa luminosa fé ensina.

Mas antes precisamos considerar algumas coisas.

Primeiramente é preciso dizer que Ramakrishna morreu hindu, ou seja, não foi batizado, e não ha registros que tenha reconhecido Um Único Deus em uma Santíssima Trindade.

Sim, reconhecia em Jesus Cristo "uma" encarnação de Deus, mas o fazia em conformidade com o entendimento de certas seitas hindus, que ensinam que Deus "aparece" entre os homens de tempos em tempos.

Nisso, para Ramakrishna, nosso Senhor seria então uma de tais múltiplas aparições.

E este conceito é contrario a fé cristã. É apenas em Cristo, o Filho Unigenito de Deus, que Deus se vez visível aos homens, tomando a nossa carne, encarnando de fato (e não apenas "aparecendo" aos homens).

É sabido que após sua morte, seus discipulos fizeram dele um homem divino, que é na ordem Ramakrishna adorado como uma encarnação de Deus.
Contudo, em razão deste evento na vida de Ramakrishna, a comemoração do Natal, segundo o calendario gregoriano, é data importante para esta seita, quando os novos monges da ordem são ordenados, em um serviço de adoração a Jesus Cristo (a moda hindu, com oferta de lampadas e alimentos) é realizada.

Pois bem, vamos as suas questões :

1 - Isso é crível? Como pode este homem, um pagão, que servia em um templo pagão, poder ver o Senhor ?

R :  Bom, ao que nos é mostrado no relato, este homem pagão estava buscando conhecer Jesus.
Todos nós, cristãos convertidos, um dia começamos assim, não é? Estamos fazendo um monte de coisas não cristãs, mas nos é dado conhecer um pouco sobre o Cristo, e nisso não paramos de querer saber mais.

Até ai não há nenhum impedimento, que O Senhor tenha vindo ao chamado de um buscador dEle.

Para o Senhor, não existe diferença entre índia ou Grécia.

Ao que também é registrado no relato, no momento em que Ramakrishna começa a pensar no Senhor e ter as tais visões ou sensações misticas sobre a fé, o que acontece é que o sentimento devocional relativo aos ídolos hindus vão desaparecendo, e ele até mesmo deixa de prestar adoração a deusa do templo em que servia.

Logo, aqui temos um sinal de que de fato algo real estava acontecendo com aquele homem que buscava Cristo.

Pois ao que parece, a Verdade começava a se levantar, e substituir os outros caminhos.

2 - Devemos como cristãos refutar este registro como um embuste? Ou de alguma forma algo assim é possĩvel ?R : Não podemos dizer se é verdadeiro ou falso. A Igreja não tem nenhuma posição oficial sobre coisas assim, pois não ha como a Igreja se posicionar sobre as coisas que estão fora do seu aprisco.

Contudo, o simples fato de Nosso Senhor aparecer para alguem que não é cristão, não pode ser visto como invariavelmente falso.

No relato, a suposta aparição de Cristo registra que O Senhor Se revela como Filho Unigenito de Deus, e Salvador de todos os homens.

Aqui temos uma afirmação ortodoxa sobre quem é Jesus Cristo. Não foi dito no relato que Cristo era uma "encarnação de Vishnu", ou algo assim.

O que então nos diz que não ha nada de errado com o relato.

Agora se é real ou não, como saber?

Não cabe maiores debates sobre isso. Se tal registro ajudar que indianos conheçam Jesus Cristo, podemos ver um sinal. Mas tudo isso é sempre muito difícil de aferir.
3-E se tal coisa é possível, qual o lugar uma pessoa que teve tal visão deve ter em nossa fé? É um santo? Deve ser reverenciado ?


R :
Bom, o fato de considerar possível que Nosso Senhor Jesus Cristo apareça para quem Ele desejar, não é uma afirmação de que de fato Ele tenha aparecido a Ramakrishna.

Mas mesmo considerando que tenha acontecido, o caso em si não faz de Ramakrishna um membro de nossa fé. Ele não foi batizado, não se converteu.

O que nos leva a pensar, que mesmo que o Senhor o tenha dado o privilégio de Sua presença, os frutos não foram plenos, pois Ramakrishna morreu sendo adorado como um homem divino, e ao que parece, não deixava de incentivar os seus discipulos para esta forma de o tratar.

Os Santos são sempre seguidores de Cristo, sempre apontam para Ele, e nunca aceitam serem confundidos com Deus, mas ao contrário, com suas vidas nos ajudam a buscarmos adorar a Deus, a buscar estarmos unidos com o Pai, através do Filho, crendo na ação do Espírito Santo.

Em Ramakrishna não temos nenhuma dessas características. Logo, claro e evidentemente que não é para nós santo, nem nada parecido com isso.

Não podemos negar (nem afirmar) que ele tenha visto o Senhor.

Assim como Saulo de Tarso estava fora da Igreja e foi chamado pelo Senhor, nada impede que o Senhor tenha ido buscar este indiano nos anos finais do Século 19.

Contudo, Saulo se tornou cristão, aceitou o batismo, renegou todos os caminhos distantes da fé, e morreu como um seguidor de Jesus Cristo.

Saulo se tornou Paulo, Apóstolo dos Gentios, Coluna da Igreja.

Vemos então os frutos.

Como Ramakrishna, não temos estes frutos, seja lá o que de fato tenha acontecido com ele em sua busca pelo Senhor.

E mesmo o Cristo nos ensina sobre estas variantes para o germinar da fé, quando oferta a Parábola do Semeador.

Quais os meios para a fé prevalecer e perdurar, junto a aquele homem, nascido no hinduísmo, e cercado por pessoas que o divinizavam ?

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                                               Conclusão :

O Senhor pode aparecer para alguem fora da Igreja ? Para um não cristão?
Resposta : O Senhor pode qualquer coisa.

Contudo, para crermos, melhor para nṍs é ter atenção aos frutos.

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Um grande abraço !

No amor de Cristo,

Diácono Marcelo.

Em nossa fé, homens e mulheres tem um mesmo ideal.



Irmãos,

eis que um buscador nos traz uma questão : "Se muito se fala do asceticismo cristão ser um caminho viril, como pode a mulher cristã buscar uma via ascética ?

É uma boa pergunta.

Nisso podemos dizer, com segurança, que o modelo de ascese para a mulher cristã é o mesmo que para os homens : A auto imagem da Mãe de Deus :
"Eis aqui a serva do Senhor ".
Todos nos, homem ou mulher, devemos compreender que nossa luta é por ordenar nossas vontades de acordo com o plano de Deus.

Obviamente em muitos casos ha nisso grande batalha interna, e em um numero menor de vezes ha as retaliações do mundo.

Quando a Santissima Virgem disse o seu sim a Deus, a sua mente veio a antecipação das dores, as suas mais amargas dores de mãe, pelo que aconteceria ao seu Filho e seu Deus.

Mas prevaleceu nela o coração de serva, não para sua alegria, mas para Gloria de Deus se realizar no mundo através dela.

Quando o cristão, homem ou mulher, meditam com atenção a auto imagem da Virgem, percebem a distancia do amor que ha no seu coração , comparado ao amor que queimava no coração da Deípara.

E nisso, se a meditação é seria, ha sim uma tristeza, mas a "boa tristeza", que leva a oração viva, ao exame dos passos na vida, a um caminho de real luta.

Deus então olha para este lutador miseravel, e pela Sua misericordia derrama nele graças, e delas advem as lágrimas de compunção, que limpam a alma e o corpo.

Eis que surge, por milagre um coração que é vivo, e fonte de arrependimento.

Eis o que devemos buscar, homens e mulheres. A mesma busca.
Grande abraço !
No amor de Cristo,

Diácono Marcelo.