Diakonia é Serviço

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"Mas Jesus, chamando-os a si, disse-lhes: Sabeis que os que julgam ser príncipes dos gentios, deles se assenhoreiam, e os seus grandes usam de autoridade sobre eles; Mas entre vós não será assim; antes, qualquer que entre vós quiser ser grande, será vosso serviçal; E qualquer que dentre vós quiser ser o primeiro, será servo de todos. Porque o Filho do homem também não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate de muitos." Evangelho de São Marcos 10:42,45

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Ortodoxia da Fé : As duas Naturezas do Cristo


Novo video : Encerramento da serie dedicada a explanar sobre os topicos mais importantes entre as distinções de crença entre a Igreja Ortodoxa e os grupos cristãos fora do seu aprisco.

Neste video, e primordial divergencia entre a Ortodoxia e as denominações Não Calcedonianas (Coptas, Armenios ...)

Notas Pastorais : Diante da Miséria Material, nem Esquerda nem Direita : Só Cristianismo.






No  ano 257 d.C, quando uma perseguição implacável foi levantada contra os cristãos por Valério, o Arquidiácono Lourenço( cuja função incluia cuidar dos vasos sagrados da Igreja e distribuir dinheiro para os necessitados) foi preso e levado perante o Prefeito.

Quando questionados sobre os tesouros da igreja, São Lourenço pediu um  prazo de três dias para prepará-los.

Ele então passou a recolher todos os pobres e necessitados, e os reunindo, os apresentou ao prefeito e disse: "Eis os tesouros da Igreja".
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Irmãos,

o Cristianismo é uma forma de vida.

Ele não é, quando autentico, "algo" que se usa aqui ou ali em sua vida, de acordo com as conveniências.

Não. O cristianismo define a sua visão de mundo, a sua perspectiva sobre o que é o certo e o errado.


Isso contudo não significa dizer que todos os cristãos devem, em tudo, concordar, ter os mesmos gostos sobre trivialidades, as mesmas preferências sobre o que é acidental.

Certamente não deve ser assim, e ha espaços para diversidades de opiniões, "jeitos de ser", não sendo o cristianismo um modelo férreo de comportamento, sobre coisas banais da vida.


Contudo, sobre o fundamental, os cristãos devem concordar,  e é razoável conceber que crendo sobre o mesmo no que diz respeito ao fundamental, os cristãos tenham uma visão comum (no essencial), sobre boa parte dos temas mais polêmicos, que em geral dividem os grupos humanos.


Nestes tempos de eleições, é comum que muitos cristãos batizados se vejam divididos entre se situarem entre dois grupos : Os de esquerda e os de direita.

Alguns sugerem  termos como "progressistas" e "conservadores".


Em uma sociedade pós cristã, é mais comum que essas auto identificações sejam mais relevantes nas formas de agir na vida do que a fé recebida no batismo.

De todo modo, como "forma de cultura", o cristianismo, ainda que diluido, ocupa espaço nas formulações e auto justificações dos anseios meramente mundanos do homem moderno.

Assim sendo, em geral um "esquerdista" ou um "direitista" (ou se você preferir um "progressista" ou um "conservador") , vão fazer uso do cristianismo para justificar suas verdadeiras adesões de fé, que são centradas em perspectivas mundanas sobre o "poder dos homens" de realizar no mundo os feitos inspirados por suas ideologias.


Assim, um esquerdista usa citações bíblicas ou patristicas para defender as obras assistencialistas do estado, para condenar o acumulo de riqueza, para defender o desarmamento civil, o fim da pena de morte, e etc...

Igualmente, um direitista vai fazer uso de sua seleção de citações bíblicas e patristicas para defender que o estado(e mesmo o homem comum) não realize qualquer obra assistencial, para defender o acumulo de riqueza e o luxo, para defender o uso de armas por qualquer um e a pena de morte, e etc...


E como tal coisa é possível ? Será o cristianismo contraditório ?


Não, de forma alguma.

O "x" da questão é que o cristianismo autentico pressupõe a liberdade dos indivíduos.

E assim, ainda que exista claros apontamentos sobre o caminho a se seguir, não ha nesses qualquer imposição inexorável como se deve caminhar.


E é justamente assim em razão de ser o cristianismo de fato uma forma de se viver, e não uma "doutrina", que pretende atuar na vida dos seus adeptos.

Vamos hoje neste artigo centrar nossas atenções na assistência social estatal.

Afinal de contas, o investimento de dinheiro publico, no combate a extrema miséria, tem sustentação no nexo cristão? Ou isso "é coisa de comunista" ?


Deve ser algo  claro para um cristão :A  miséria, a fome do seu vizinho, é algo aviltante, sofrido e mesmo inaceitável para ele. Um cristão não pode ser feliz quando o seu vizinho é um miserável. Não importa as razões que levaram o seu vizinho a ser um miserável.

Pois se o cristão deve ver a cada homem como um "ícone do Cristo", como se faz possível ver o Cristo na miséria e não perder a alegria ?

O ponto em questão é que a miséria do seu vizinho o deve incomodar de um modo tal, que  mesmo a legitimidade do seu básico se torna comprometida.

É importante que aqui tratamos de miséria e não de pobreza. Pois se um cristão tem  apenas um teto, vestimentas, um cobertor para o frio, e comida para seus filhos,  ele é um pobre. Mas em sua pobreza, ele tem o básico.  Daí que mesmo para ele, é simplesmente inaceitável que o seu vizinho não tenha ao menos esse mesmo básico.

O que então sentirá o cristão, que tem mais do que o básico, diante da miséria alheia ?



                                                     O pecado da insensibilidade.

Quando um cristão simplesmente não vê como inaceitável que o seu vizinho não tenha essa básico, em geral ele começa a justificar a sua dureza de coração, apontando para as culpas do seu irmão que vive na miséria.


Muitas vezes ele está correto em apontar que o miserável  se acomoda, que não luta com o suficiente denodo para superar as limitações materiais da vida, e que mesmo vive a esperar, de forma parasitaria, o auxilio de outros.


Tal inercia  é de fato, um problema espiritual de muitos.

Contudo, como qualquer um que sofre dos efeitos de uma doença física deve ser antes de tudo auxiliado para que obtenha a cura (ou mesmo o alivio mínimo de suas mazelas), aqueles que sofrem de uma doença espiritual devem também receber um auxílio, para a cura ou mesmo para que não padeçam tanto em razão de suas moléstias.

Assim como o individuo cristão não deve se conformar com a miséria do seu vizinho (e aqui estamos falando da falta do básico material), o estado que representa todos os cristãos(em uma sociedade cristã) não deve deixar de ser um meio de auxilio ao miseráveis, ao menos naquilo que atende a erradicação da  miséria.


Logo, não há qualquer dúvida, que um estado que promova ações de auxilio aos miseráveis, que permita a essas pessoas  ter ao menos um teto, vestimentas essenciais, alimentação básica, e acesso a remédios e tratamentos médicos essenciais, não está fazendo nada em contrário ao cristianismo, mas ao contrário, está dando um bom cumprimento a coleta dos impostos dos cristãos, restituindo uma parte do que arrecada em vestir os nus, alimentar os famintos, dar abrigo aos que nem isso tem.

Os cristãos então deveriam é cobrar do estado o atendimento dessas obras, para o melhor uso dos impostos coletados, e nunca reclamar sobre o uso do “seu dinheiro” para o “custeio de parasitas”.


Se um cristão ao andar por uma rua recebe o pedido de um mendigo por um trocado para comer, ele deve antes de dar os seus cinqüenta centavos, questionar o mendigo sobre a razão dele não ter estudado quando criança ? Ou sugerir ao mendigo levantar-se e procurar lavar um automóvel em troca de um prato de comida ?

Eu passo por uma rua e uma mulher com filhos pequenos me pede uma ajuda qualquer, qualquer trocado para poder alimentar os seus filhos. O que penso ? Por qual razão ela se permitiu ter filhos se não consegue alimentar nem  a si mesma ?

Em que momento cabe a esmola, se o cristão sempre olhar o mendicante como um “vagabundo aproveitador” ?  Ou como um "estorvo humano" ?


Esse olhar duro é o avesso do olhar cristão.

Eu não devo julgar a razão para o mendigo estar naquela situação (que muito provavelmente, é obvio, conta com a responsabilidade dele), o que importa antes de tudo, é que aquele individuo está passando por uma situação de vida extremamente crítica, e que naquele momento, o  mais importante para mim é o ajudar a mitigar um pouco o seu sofrimento.


Mas então o critico diz : “Assim, incentivamos a mendicância...”

Bom, será necessário compreender, que aquele que se vê incentivado a viver como um mendigo em razão de receber as migalhas do seu próximo, é de fato alguém muito necessitado de ajuda.


Estamos aqui tratando do emergencial, e não do luxo.


O auxílio no básico, no essencial, nunca será uma medida de incentivo a manutenção da miséria, mas sim é uma medida de erradicação da mesma.

Novamente : Não se trata de erradicar a pobreza.  Isso nem mesmo deveria ser um desejo, pois ha sem dúvida, uma "pobreza cristã", plenamente desejável.

Aqueles que então são fracos (ou mesmo incapazes) de conseguir a partir da obtenção do mínimo material, buscar mais pelas próprias forças, vão viver na pobreza, mas vão ter ao menos o essencial.

A pobreza do próximo, não deve ser motivo de angustia para mais ninguém, pois de certo, aquele que deseja o supérfluo, não deve exigir do seu irmão um esforço nesse sentido.

É importante então caracterizar, que não será um anseio cristão, a igualdade plena de todos os indivíduos, no que diz respeito aos seus bens materiais ou sobre tudo aquilo que ultrapasse o básico.

Pois obviamente o estado vai de fato criar um malefício social e mesmo praticar um  pecado, se passar a custear com os impostos arrecadados algo para alem do atendimento ao básico,  pois assim  desta forma, realmente estará criando um incentivo a  fraqueza dos indivíduos, com base no suor dos que trabalham. 


Claro, a televisão, a roupa bonita, o mobília bem trabalhada, o videogame,  isso não é um dever do estado bancar, e nem mesmo é uma obrigação de cada cristão prover ao seu vizinho. São os frutos que virão do esforço de cada um, na medida de suas potencialidades.


Esse anseio (de uma igualdade material para alem do básico) é sim estranho ao nexo cristão e deve mesmo ser refutado como uma ilusão materialista.

Contudo, tal ilusão  deve ser considerada  apenas como sendo o extremo oposto do igualmente errado sentimento de total insensibilidade a miséria alheia.

Ambos não se baseiam no cristianismo, mas sim são deturpações dele.


Assim, em uma sociedade verdadeiramente cristã, o estado deve ser um canal de auxilio aos miseráveis, de modo que nenhum individuo morra de frio em razão de não ter um teto, um cobertor, que não morra de inanição por não ter ao menos o pão de cada dia.

E o limite do discernimento é esse : O amor cristão não pode permitir a miséria, mas deve ver a pobreza ou a riqueza como uma conseqüência do esforço de cada um.


Desta forma,  tendo tal discernimento, o incentivo ao trabalho individual, ao esforço pessoal para se obter algo para alem do mínimo, nunca será contrastado com a aplicação de um senso de responsabilidade social por parte do estado, que apenas representa os anseios de uma coletividade de cristãos, pois se ele usa parte do que arrecada com os impostos para evitar a miséria dos mais fracos (em um sentido mais amplo), ele não faz nada alem de dar um uso cristão aos impostos, e nisso cumprir sua função.

Deve igualmente o estado, no cumprimento do seu dever de representar os anseios da coletividade cristã, não permitir que os recursos advindos dos impostos sustentem algo para alem do básico para os necessitados, para que este auxilio caritativo não se transforme em um  veneno.

No amor de Cristo,
Diácono Marcelo.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Novo Video :Cuidados com a saude, da alma e do corpo.


Irmãos,

novo video : Orientações Catequeticas sobre os cuidados com a alimentação (do corpo e da alma)e sobre a percepção da saúde integral do homem.


Não vos inquieteis...




"Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos?
Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas;
Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.
Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal."
Mateus 6:31-34




Irmãos,


certa vez, o Amigo de Deus, São Paisios da Montanha Santa, disse que um dos maiores problemas modernos, era a entrega dos filhos da Igreja as preocupações inuteis.


E por qual razão essas palavras do Abençoado Ancião são tão acertadas ?


Pois o filho da Igreja, feito revestido de Cristo pelo Batismo, vive tendo o Senhor ao seu lado, a todo o tempo, mas deixa de O ver, e de receber os beneficios de Sua presença, por obscurecer sua vida com pensamentos que o afastam da visão do Senhor.


As vezes nos pegamos com dilemas que só podem existir se não considerarmos a sério, que O Senhor das Hostes é nosso amigo e que está conosco.


E no final da contas, todas as preocupações, se tivessemos esta visão do Rei da Gloria ao nosso lado, seriam bobagens, seriam como os antigos medos na infancia.


Irmãos, irmãos....Não ha pobres e ricos, poderosos e miseraveis...Caminhamos todos para o tumulo. Cedo ou tarde, todo esse circo acaba.


O que nós temos neste mundo ? Nada.


Mas no Senhor temos tudo.


Logo, vamos, ao adormecer neste mundo, despertar para a realidade eterna, e ai, teremos apenas aquilo que adiquirimos espiritualmente.


Se então, hoje aqui, somos vestidos do amor ao Senhor, não vamos estar nus no outro mundo.


Como então podemos deixar de sermos cegos, e por não ver O Senhor ao nosso lado, ficarmos angustiados com as quimeras do mundo ?


Mantendo a nossa mente no Senhor a todo o tempo.


Guarda sua regra, manha e noite, de modo caprichado, especial, como se fosse o "encontro com o(a) amante de sua vida".


Não faça por menos ! Acenda a lamparina, queima o incenso, enche as vistas da imagem gloriosa, iluminada e perfumada do Senhor !


Cantarole o nome do Senhor todo o tempo : "Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador, tem piedade de mim, um pecador"


Não se preocupem com mais nada !

Sim, cumpram as obrigações, se atenham a cada responsabilidade.
Mas não se preocupe com mais nada !

Assim, dia a dia, sem perder um, a visão dEle vem.

E ai, mesmo que queiramos, ja não vamos mais poder nos preocupar com nada.


No amor de Cristo,


Diácono Marcelo.

Notas Catequéticas : Dúvidas de Protestantes e Evangelicos a respeito da Fé Ortodoxa - Parte II


Irmãos,

um novo video : A segunda parte de uma exposição catequética , com o fim de apresentar a cristãos protestantes e evangelicos, respostas as duvidas mais frequentes destes sobre a espiritualidade da Igreja Ortodoxa.


sábado, 23 de julho de 2016

Notas Catequeticas : O Lugar dos Santos em nossa fé.



Irmãos,

muitos são os cristãos, que sendo protestantes e evangelicos, acompanham o nosso apostolado.

Nisso, com o tempo, passam a ter admiração pelas notas da luminosa ortodoxia, e percebem que de fato ha uma "novidade" neste cristianismo pouco conhecido, de expressão "oriental", que mesmo parece uma provocação ao cristão do Ocidente, que até "ontem" acreditava que o cristianismo se resumia a dicotomia "catolicismo romano Vs protestantismo".

Mas essas pessoas ainda encontram dificuldades de compreendeer certos aspectos muito significativos de nossa espiritualidade, e em certos casos possuem mais dificuldades que os catolicos romanos para compreender a nossa fé.

Um desses aspectos, mais dificeis para essas pessoas, é a questão do lugar dos Santos em nossa fé.

Esses cristãos tem dificuldade de compreender a validade das orações aos Santos, e mesmo de saber como é possível conciliar a veneração aos Santos e a adoração a Deus (de maneira geral tem muita dificuldade de discernir entre uma coisa e outra).

É nosso dever, como clerigo e catequista, expor com clareza, amor e precisão, o entendimento de nossa fé sobre este e outros aspectos.

Muitas vezes os filhos da Igreja, confrontados com as dúvidas dos não ortodoxos, recebem estas questões como se fossem necessariamente uma provocação, uma agressão a fé, e nisso deixam a paz e a mansidão que Cristo nos convidou a ter, e seguindo outros mestres, reagem a estes inquiridores com falta de amor, com impaciencia, e nisso deixam para tras a oportunidade de levar a Luz da Sagrada Ortodoxia para estas pessoas, que se nos buscam, o fazem enviados pelo Cristo.

E é com grande alegria que devemos receber essas pessoas e dar atenção real as suas dúvidas sinceras. Nisso sempre devemos ver essas pessoas como crianças espirituais, que talvez mesmo sem saber, ja tem um espaço para a luminosa ortodoxia em seus corações.

Sem amor, meus irmãos, nunca seremos capazes de ensinar nossa fé.

Na proximidade da celebração do Domingo de Todos os Santos, peço as orações de todos os Amigos de Deus, para que Cristo, Nosso Mestre, me ilumine, para poder ofertar uma palavra clara sobre este tema.

Quem são os Santos ?

Os Santos são homens e mulheres, de todas as epocas, que em um dado momento de suas vidas, se viram de tal modo convencidos da Verdade do Evangelho, que tornaram os seus corações verdadeiras moradas para Cristo, e nisso, o pecado e a maldade já não encontrava abrigo em suas intenções.

Estes homens e mulheres então, já neste mundo, caminhavam como se vivessem no Céu, e seus semblantes transfigurados ofertavam ao mundo um sinal vivo da Encarnação de Deus e da Ressurreição de Cristo.

Os Santos são aqueles, que de verdade, acolheram a Verdade....Não como um "conhecimento", uma informação sobre a Verdade, mas sim que receberam a Verdade em seus corações de um modo vivo, transformador, que os mudou como criaturas.

O Batismo nós dá esse potencial, a possibilidade de sermos Revestidos de Cristo, e assim viver, sem macula, em nossa nova veste.

Mas quantos de nós conseguem ? Poucos. São os Santos.

Eles são os que "venceram" a luta contra as proprias maldades, e por desejo, por amor a Deus, carregaram as suas cruzes, sem reclamar, com alegria, crendo mesmo de todo o seu coração, que o jugo do Senhor é leve.

Deus fez deles então Vasos do Espirito Santo, e atraves deles o Espirito de Verdade realizou muitos milagres.

Contudo, o grande milagre realizado em cada Santo, foi a transformação dos seus corações e moradas de Cristo.

E tal milagre só se deu em razão da sinergia, da mescla, entre a Graça derramada por Deus, e a livre vontade e desejo desses homens e mulheres, e serem apenas servos de Deus.

Nisso, os Santos são modelos para todos os cristãos.

Eles são tambem uma prova vida de que de fato Deus se fez carne e habitou conosco, e são igualmente uma comprovação da Ressurreição Luminosa de Cristo, e claro, comprovam tambem a Descida do Espirito Santo sobre a Igreja.

A Lei de Deus nos manda honrar nossos pais e nossas mães. Quem são os Santos, se não nossos pais e mães na fé ? Eles conheceram a Verdade, a aceitaram de fato, e foram transfigurados na fé.

Honrar e Venerar são a mesma coisa. Nós devemos venerar, ou seja, prestar honra, a todos aqueles, que nascidos do pó como nós, se tornaram relicarios do Espirito Santo, e ver neles um testemunho das mais santas promessas de nossa fé.

É evidente, que a verdadeira veneração aos santos se dá com o esforço sincero de imitar em nossas vidas, aquilo que os santos realizaram por amor a Deus.

A veneração que não alcança esta busca por emulação é uma falsa veneração, pois como podemos prestar honra aos nossos pais na fé se não buscamos seguir em nossas vidas o seu exemplo ?

Então, como filhos da Igreja, somos incentivados a ver na vida dos Santos que honramos um chamado : O chamado para fazermos igual.

Claro, sem a graça de Deus nada vamos realizar, pois ser santo não se trata apenas de vontade (pois se assim fosse,a nossa fé seria apenas uma ideologia), mas sim do fruto daquela união, entre o nosso desejo de amar a Deus, e a descida de Sua graça.

Mas por qual razão se ora para os Santos ?

A oração é um modo de comunicação. Nos conversamos com um outro quando oramos. Quando oramos aos santos, esses homens e mulheres que honramos, nós estamos partilhando com eles algo que temos em comum : A fé em Deus, e rogamos a eles suas orações para que alem do entendimento da fé, nos venha tambem o amor por Deus, este amor que fez deles santos.

Mas os Santos podem nos ajudar nisso como ? Eles não estão mortos ?

Não ha mortos em Cristo. O Senhor Nosso Deus, em Sua morte e ressurreição, destruiu a morte e o poderio do inferno.

Nisso, todos aqueles que adormeceram no Cristo, ressuscitados são em CRisto. Claro que estão vivos, e vivos na amizade do Senhor.

Assim podemos conversar com eles, e o fazemos em nossas orações.
Aqui no mundo, pedimos uns aos outros por orações. Pedimos orações mesmo daqueles que sabemos sofrer como nós as dificuldades de viver santamente.

Nós assim fazemos, pois é sabido que mais agradavel é a Deus a oração que fazemos pelo nosso proximo, e que Deus acata toda oração sincera, feita pelo bem de um outro.

E por qual razão então, não iriamos pedir pelas orações daqueles que sabemos, são verdadeiros amigos de Deus ?

A oração dos amigos de Deus são sempre orações agradaveis a Ele, pois os seus corações são purificados.

Nisso, irmanados pela graça, somos uma so comunidade de fieis, os santos e nós, e nisso desejamos orar juntos a Deus, que acolhe nossas orações aos santos como uma demostração clara de que cremos no Seu poder de fazer de bonecos de argila, santos vasos para o Seu Divino Espirito.

Mas se Deus conhece nossos pensamentos, por qual razão devemos rogar aos Santos ?

Rogamos sempre a Deus. Sempre dizemos : Que pelas orações de São..., CRisto Nosso Deus nos ajude...

Mas precisamos desta intermediação para Cristo nos ouvir ? Claro que não. Mas nisso estamos reconhecendo com humildade, que ha aqueles que caminharam neste mundo com mais amor a Deus, e que desejamos ser como eles, e confiamos que eles são santos em Cristo.

O amor irmãos, é o signo de nossa fé. Na nossa devoção aos santos, fazemos aumentar o amor em nossas praticas de fé. Cultivamos a humildade, a valorização do outro, o zelo pelos nossos antepassados, e valorizamos a unidade que so na Igreja podemos ter.

Cristo ao dar broncas nos Doutores da Lei, apontava o que como motivo de Suas reprimendas ? O endurecimento dos corações, o olhar estreito para as normas da Lei, a falta de uma compreensão efetivamente espiritual das coisas.

Aquelas pessoas de bom coração, que desejarem conhecer a vida dos Santos venerados pela Igreja Ortodoxa, vão encontrar ícones de Cristo nestas vidas.

Eu tenho certeza, que todo homem e mulher temente a Deus, que conhecer a vida desses santos, verá ali o testemunho do Poder de Deus, e um chamado a viver cada dia mais em Cristo.

A Igreja Ortodoxa realiza hoje, neste século XXI, aquilo que ela guarda desde os tempos de Cristo. Suas tradições, dentre as quais está a veneração aos santos, são uma continuidade de tudo o que a comunidade dos Apóstolos viveu. E esse carisma é obra do Espirito Santo.

Que Deus permita que estes apontamentos sejam uteis, para que muitos descubram na justa veneração aos Santos, um meio concreto de fazer de seus corações moradas de Deus.

No amor de Cristo,

Diácono Marcelo.

Notas Catequéticas : Dúvidas de Protestantes e Evangelicos a respeito da Fé Ortodoxa - Parte I


A primeira parte de uma exposição catequética ofertada pelo Diácono Marcelo, com o fim de apresentar a cristãos protestantes e evangelicos, respostas as duvidas mais frequentes destes sobre a espiritualidade da Igreja Ortodoxa.